segunda-feira, 26 de novembro de 2018

‘Quem define gênero é a natureza’, diz futuro ministro da Educação

Ricardo Vélez Rodríguez conversou com a imprensa no início da noite desta segunda-feira (26), em Londrina, no norte do Paraná, onde mora com a família.


O futuro ministro de Educação do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Ricardo Vélez Rodríguez, disse que “quem define gênero é a natureza”, ao justificar o motivo de discordar da discussão de gênero em sala de aula.

Rodríguez falou com a imprensa, pela primeira vez, no início da noite desta segunda-feira (26), durante uma recepção em homenagem a ele, na universidade particular em Londrina, no norte do Paraná, onde trabalha. Ele mora na cidade com a família.
Para o futuro ministro, a discussão de gênero é um pouco abstrata.
"Olha, eu não concordo por uma razão muito simples: quem define gênero é a natureza. É o indivíduo. Então a discussão da educação de gênero me parece um pouco abstrata, um pouco geral", declarou.
Ele citou o exemplo do Canadá, onde esteve em julho visitando parentes. Disse que o país decretou a educação de gênero por meio de uma lei federal, mas as províncias autônomas começaram a discutir o tema localmente e algumas, onde o governo é conservador, derrubaram a lei.
“Então eu acredito que quando consultadas as pessoas onde moram, enxergando o indivíduo, a educação de gênero é um negócio que vem de cima para baixo, de uma forma vertical e não respeita muito as individualidades. A culminância da individualização qual é? A sexualidade. Então, se eu brigo com um indivíduo, vou brigar com a sexualidade e vou querer regulamentar a sociedade por decreto, o que não é bom. Eu acho que é um tiro fora do alvo”, afirmou.

Veja abaixo outros trechos da entrevista

“Escola sem partido”
Sobre o projeto de lei “Escola sem partido”, Rodríguez explicou por que discorda da doutrinação.
“Eu acho que a doutrinação não é boa para o aluno, nos primeiros anos, no ensino básico, fundamental, tem que ser educado fundamentalmente para integrar-se na sua comunidade, no seu país, que é um país suprapartidário. Não é um partido político que vai fazer com que o menino, o jovem tenha consciência cidadã”, disse.
O futuro ministro contou que assistiu a uma sessão da Câmara Federal, quando foi conversar com Bolsonaro, na qual se discutia o projeto de lei, e pontuou que a discussão está sendo muito aberta.
“Acho que está acontecendo uma discussão muito aberta e vai haver uma moderação na regulamentação disso. Não acredito que haja violação dos direitos das pessoas para se exprimirem”, declarou.
Enem
Sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Rodíguez afirmou que a prova precisa ser preparada com isenção, para que não seja veículo de disseminação de determinadas posições ideológicas ou doutrinárias.
“Tem que ser uma prova que avalie realmente os conhecimentos, e que não obrigue o aluno a assumir determinada posição com medo de levar ‘pau’. Tem muito aluno que me falou: Professor, eu tento responder certo, não quero levar ‘pau’ por isso, porque tento responder o que eu espero que os questionadores, eu respondo”, detalhou.
Perguntado se a prova poderia passar pelo crivo do presidente, ele respondeu que, se Bolsonaro quiser, ninguém vai impedir.
“Se o presidente se interessar, né? Ninguém vai impedir. Ótimo que o presidente se interesse pela qualidade das nossas provas”, disse.
Universidade pública
Na opinião do futuro ministro, as universidades precisam melhorar a gestão, com cobrança de eficiência e resultado pessoal.
“Eu acho que a universidade pública tem que permanecer pública. Mas com uma gestão eficiente, uma gestão em que o cidadão veja que o que está pagando tem resultado. E nossa estrutura de universidade pública sai quatro, cinco vezes mais cara que de uma universidade particular. Precisamos justificar isso perante o eleitorado que é quem financia”, pontuou.
Prioridades no Ministério da Educação
De acordo com Rodríguez, a prioridade na sua gestão frente ao Ministério da Educação será pensar nas pessoas.
“Para mim o valor fundamental é servir as pessoas. Então, vou tentar dar importância às pessoas, ao aluno em sala, aos professores que se sentem oprimidos pela violência que há em sala, isso precisa ser equacionado”, afirmou.
Rodríguez considera que há muito a se fazer pela educação, melhorando principalmente as condições do ensino nas escolas municipais.
“É aí onde se forma a consciência cidadã, a educação para cidadania, e onde se pode começar a resgatar a qualidade do nosso ensino. Acho que temos a necessidade de voltar os olhos para o cidadão, para o aluno, para a pessoa, para as pessoas individuais, com suas diferenças, suas preocupações”, disse.
O futuro ministro da Educação acredita que as universidades ficaram reféns de uma doutrinação de “cunho marxista”, e que é preciso “abrir a mente e o espírito para que haja compreensão de outras formas de ensino e educação”.
Colégios militares
Perguntado sobre a experiência em colégios militares, Rodríguez afirmou que valoriza muita a disciplina e a eficiência que eles têm.
“Os colégios militares, hoje, representam para o Brasil, o que há de melhor em termos de qualidade, exigência, de disciplina. É interessante visitar um colégio militar, a gente fica surpreendido como professor”, declarou.
Ele pontou que acredita que Bolsonaro tem uma grande ideia ao colocar os colégios militares como exemplo para a sociedade civil.
“Não para que virem colégio militar, não. Mas para que olhem que é possível ter eficiência, disciplina, sem sacrificar a alegria de viver. Eu sempre valorizei a Escola de Estado Maior do Exército e o Centro de Estudos do Exército, porque em qualquer disciplina a gente é avaliado no final. E lhe apresenta a possibilidade de ver os seus erros e de corrigi-los. O que eu acho maravilhoso, a gente só tem a crescer com essa modalidade de ensino disciplinar”, pontuou.
Ensino médio
O futuro ministro também defendeu que os estudantes saiam do ensino médio prontos para o mercado de trabalho.
“Nem todo mundo é chamado à universidade. É bobagem pensar que a democratização da universidade é universal (...) Nem todo mundo gosta de universidade. Eu acho que o segundo grau teria como finalidade mostrar ao aluno que ele pode pôr em prática esses conhecimentos e ganhar grana com isso, como os youtubers estão ganhando grana sem frequentar universidade”, argumentou.

O futuro ministro da Educação

Rodríguez foi anunciado como ministro da Educação pelo presidente eleito na última quinta-feira (22). Nascido na Colômbia e naturalizado brasileiro em 1997, o futuro ministro é autor de mais de 30 obras e, atualmente, é professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército.
Rodríguez é mestre em pensamento brasileiro pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ); doutor em pensamento luso-brasileiro pela Universidade Gama Filho; e pós-doutor pelo Centro De Pesquisas Políticas Raymond Aron.
Em carta divulgada na sexta-feira (23), Rodríguez afirma que sua gestão à frente da pasta buscará preservar "valores caros à sociedade brasileira" que, segundo ele, é "conservadora".
Crítico dos últimos governos do país, Rodríguez disse que é contra "discriminação de qualquer tipo" e afirmou que, nos últimos anos, a "instrumentalização ideológica da educação" polarizou o debate sobre o tema.
A "ideologização" da educação já havia sido criticada por Rodríguez em um texto publicado no início de novembro.
Na ocasião, escreveu que o órgão responsável pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entende as provas "mais como instrumentos de ideologização do que como meios sensatos para auferir a capacitação dos jovens no sistema de ensino".

Por Aline Pavaneli, G1 PR — Londrina

sábado, 24 de novembro de 2018

A amizade de Nelson Mandela com o homem branco que foi seu carcereiro em prisão do apartheid


Por Lucas Vidigal, G1

Christo Brand ajudou Mandela a conhecer a neta ainda no cárcere, quebrando as regras do presídio de segurança máxima.


Christo Brand tinha apenas 19 anos quando conseguiu, em 1978, o emprego de carcereiro para evitar o árduo e longo serviço militar obrigatório na África do Sul. Alocado para trabalhar na ilha Robben, o rapaz foi avisado de que a prisão de segurança máxima encravada ali abrigava um "terrorista perigoso": Nelson Mandela, condenado em 1963 à prisão perpétua por liderar a luta contra o apartheid e que se tornaria presidente do país e Nobel da Paz.
De passagem pelo Brasil, Brand contou ao G1 como um abraço entre avô e neta transformou a relação dura entre presidiário e guarda em uma amizade que durou até o fim da vida do ex-presidente sul-africano, morto em 2013.
Fachada da prisão de segurança máxima da ilha Robben, na África do Sul. Hoje, local funciona como museu. — Foto: Andrew McConnell/Robert Harding Heritage/AFP/Arquivo

O abraço

Brand percebeu que as poucas mas cordiais palavras trocadas entre ele e Mandela se transformaram em amizade no inverno chuvoso de 1980. O silencioso abraço que o líder sul-africano deu, ainda dentro do cárcere, na neta Zoleka, então com 4 meses, marcou o início de uma relação mais próxima entre os dois.

"Ele estava muito emocionado, cheio de lágrimas nos olhos. O jeito que ele beijava e abraçava a bebê... ali percebi que tínhamos nos tornado amigos", contou Brand.
O jovem carcereiro arriscou perder o emprego ou, pior, ser preso ou mesmo morto pelo regime. Isso porque presos políticos na ilha Robben eram proibidos de receber visitas ou ter qualquer contato com menores de 16 anos. Até os filhos dos guardas que moravam naquela ilha de 5km² a noroeste da Cidade do Cabo tinham de tomar distância segura para ficar longe dos olhos dos prisioneiros.
Robben Island, onde Nelson Mandela ficou preso, na África do Sul — Foto: Divulgação/South African Tourism
A história começou quando Winnie Mandela, então esposa de Nelson, enrolou a bebê Zoleka por debaixo das roupas e tomou um barco até a ilha Robben. Ela sabia da proibição. A ideia, portanto, era mostrar brevemente, durante a visita, a menina ao avô detido já havia 17 anos.
O plano deu errado. Na revista, os guardas descobriram Zoleka enrolada entre os tecidos. "Winnie me implorou que deixasse o bebê entrar, mas a resposta foi não", recorda Brand.
Apesar da proibição, o carcereiro se sensibilizou com o caso. Afinal, Brand nutria uma simpatia por aquele que os diretores do presídio chamavam de terrorista. Mandela não se parecia nem um pouco com a pessoa perigosa descrita pelos chefes. Era um interno que costumava puxar assuntos com o carcereiro, não sobre o apartheid ou a luta que o levou para as prisões – mas, sim, sobre a vida do jovem guarda da prisão.
Brand e o supervisor trocaram olhares. Haveria um jeito de permitir o encontro de avô e neta. Mas, para isso, ninguém poderia saber. Nem mesmo Winnie Mandela.
"Ela ainda tentou me dar alguma propina para que eu mostrasse a criança, e eu neguei", relembrou o ex-carcereiro.
Zoleka, filha de Nelson Mandela, em discurso em 2011 — Foto: Ben Stansall/AFP/Arquivo
Os carcereiros, então, falaram que guardariam a bebê Zoleka enquanto Winnie visitasse Mandela. Era uma sala com um vidro dividindo prisioneiro e visitante, com um microfone para que os dois falassem. Tudo vigiado pelas autoridades da África do Sul do apartheid.
Brand, então, fechou Winnie em uma antessala por alguns segundos, como se fosse sem querer. Nesse tempo, ele foi até onde Mandela estava e entregou a bebê em seus braços. Tudo muito rápido.
"Ele beijou a bebê duas vezes e havia lágrimas em seus olhos. Rapidamente, peguei o bebê de volta e fui até onde estava Winnie. Pedi desculpa por tê-la trancado na sala", contou.
Nelson Mandela e Winnie caminham de mãos dadas após Nelson deixar a prisão na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 11 de fevereiro de 1990 — Foto: Associated Press
Brand soube que o plano de fazer Mandela conhecer a neta funcionou porque nem Winnie sabia do encontro. "Ela me implorou de novo para que eu mostrasse a criança, e eu novamente neguei", relatou. Até Mandela sair da prisão, Winnie não sabia do encontro entre o então marido e a neta. "Foi um segredo guardado durante anos."
Winne e Nelson Mandela se separaram em 1996, depois de quase 40 anos casados, e ela travou batalhas judiciais pela propriedade de uma casa onde viveram – Mandela não deixou herança à ex-mulher. Winnie, que também era ativista na luta contra o apartheid, morreu em abril deste ano, aos 81 anos.

O desconhecimento

"Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele ou de onde ela vem ou sua religião" – frase de Nelson Mandela na autobiografia "Long Walk to Freedom"
 Branco de origem africâner – grupo étnico descendente dos colonos holandeses na África do Sul –, Brand nasceu e cresceu no país do apartheid. Mas apesar das diversas proibições aos povos negros, a criação do ex-carcereiro em uma distante fazenda no interior o deixou longe da repressão às revoltas populares pelo fim do sistema racista. Tanto que ele nunca ouvira falar de Mandela até chegar na ilha Robben.
"Não havia discriminação por cor nas fazendas. Nós éramos muito próximos dos trabalhadores", contou o ex-carcereiro. Brand só percebeu a diferença quando se mudou para a cidade, ainda na juventude.
Junho de 1964 - Oito homens, entre eles o líder anti-apartheid e então membro do Congresso Nacional Africano Nelson Mandela, são levados do Palácio da Justiça em Pretória após condenação à prisão perpétua. Eles aparecem erguendo os punhos em sinal de luta — Foto: AFP/Arquivo
As restrições eram várias. Havia bairros somente para brancos, em que negros sequer podiam passar. "Só entravam caso tivessem um emprego, caso contrário poderiam ser presos", relembrou. Havia também os serviços restritos como restaurantes, ônibus, trens e até bebedouros públicos. Casamentos e mesmo relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram proibidos por lei.
Ter crescido em meio a pessoas de raças diferentes, porém, fez Brand não entender o porquê da segregação racial na África do Sul. Por isso, diferentemente dos colegas, o jovem carcereiro não nutriu, de pronto, um ódio contra Mandela.
"Meu pai, quando me criou na fazenda, sempre me falava: 'não olhe para a cor da pele'. Então eu cresci respeitando", afirmou Brand.

A cadeira do presidente

A amizade contida entre Mandela e Brand na prisão se fortaleceu quando o líder sul-africano foi, enfim, liberto em 1990. Quatro anos mais tarde, a África do Sul elegeu Nelson Mandela presidente do país – o cargo mais alto possível no país era ocupado por alguém antes perseguido pela luta contra o racismo.
Mandela conseguiu para Brand um emprego como gerente administrativo e de logística na Assembleia Constituinte. Vez ou outra, conseguia tirar um tempo para visitar o novo presidente.
Nelson Mandela levanta as mãos enquanto anda dentro da 'Johannesburg Stock Exchange' em 22 de abril de 1994. — Foto: Corinne Dufka/Reuters
"Quando Mandela virou presidente do nosso país, ele continuou meu amigo. Ele não tinha mudado, ele ainda era a mesma pessoa humilde que eu reconhecia. Até quando eu entrava no gabinete dele, ele apontava para a cadeira dele e dizia: 'Senhor Brand, essa é a cadeira do presidente, sente-se na cadeira', quando a gente tomava um café juntos. Sabe, ele era essa pessoa, sempre me ajudando."Brand ainda frequenta a casa da família da Mandela, com quem tem boa relação. "Uma vez, a imprensa perguntou à filha dele como era a relação do ex-carcereiro com o presidente", contou.


"Ela respondeu: 'Não, não, ele não é ex-carcereiro do presidente. Ele é parte da família."

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Ledy o Pintinho Rejeitado que Se tornou Galo de Estimação.






Ledy, quando nasceu sua dona não quis, porque era feinho e sozinho, ofereceu ao Lewis Vettel, seu sobrinho, mas a mãe do garoto também não queria o pintinho. Por insistência do pai o foi aceito. Ledy foi criado enjeito dentro de casa, um dia sem querer foi pisoteado poruma pessoa e foi dado como morto. Um dos membros da casa lembrou-se da tradição do seringal colocou o pinto debaixo de uma cuia e bateu com as colheres, minutos depois foi ressuscitou.
A Historia de Ledy, não para por aqui, aos dois meses foi sequestrado da Vila onde mora em Tarauacá no Acre, a família fez um mutirão à procura da Ave, no outro dia ele reapareceu meio desfigurado com o rabo arrancado e as penas das asas cortadas, alegria total para os moradores da Vila.
Hoje Ledy, está um galo quase refeito, é tratado diferenciado, seu dono dá banho quase todos os dias e seus alimentos são balanceados, não gosta de se alimentar dos alimentos das outras galinhas. Sua refeição preferida bolo e sanduiche.
O que mais impressiona as pessoas do vilarejo é que Ledy passeia quase todas as tarde com seu dono, caminham pelas ruas, mas seu passeio preferido é ir, para a casa sogra de seu dono.










Veja o video

https://www.youtube.com/watch?v=W7_ermfxk-c

domingo, 30 de setembro de 2018

Sete dias após acidente, Renê e apoiadores celebram renascimento






Renê, Francisco e Marinilson nasceram de novo. Há sete dias, eles concordam. Na linha do tempo desses três rapazes há uma vida antes de um acidente de carro na BR-364, a 60 quilômetros de Tarauacá, ocorrido no dia 23 de setembro, e outra depois.
Livramento, sorte, mais uma chance? Escolham estes ou qualquer outro termo para explicar como um veículo capota 20 vezes numa rodovia e seu condutor e passageiros, uma semana depois, estão vivos e felizes ao lado de quem poderia hoje estar de luto.
Renê é candidato a deputado estadual. Marinilson e Francisco são seus apoiadores. Os três haviam saído cedo de Cruzeiro do Sul, no domingo, com destino a Tarauacá, quando, de repente, Francisco, o motorista, em uma curva perde o controle do veículo, uma caminhonete Hilux preta. Renê e Marinilson estavam de cinto.
Francisco, não.

“Eu pensei: eu vou morrer. Lembrei logo da minha esposa. Lembrei que não tenho filho. Que ia morrer sem realizar o sonho de ter um filho. Pensei no ex-vereador Jessé que morreu naquela estrada”, rememora Renê Fontes, que também recorda ter saído do carro se arrastando pela estrada.
Eles foram socorridos na rodovia e levados ao hospital de Tarauacá e em seguida trazidos de avião para Rio Branco e internados no Pronto Socorro da capital. A essa altura os jornais eletrônicos já veiculavam manchetes sobre o acidente.
Marinilson foi o primeiro a ter alta, depois Renê, na segunda-feira, um dia após o acidente, e por último Francisco, no sábado, 29.
Celebrando a vida
Na sexta-feira, 28, pelo menos 400 pessoas fizeram uma festa para no auditório da Livraria Paim, em Rio Branco, para celebrar a vida de Renê, Marinilson e Francisco.
“Depois de um grande livramento, tudo que você quer na vida é estar perto dos familiares e amigos. Fizemos esse encontraço para celebrar a vida! Deus ainda tem planos para mim e vou estar pronto sempre, tanto com a fé inabalável quanto com as ações para mudança. Francisco Monteiro pegou alta médica hoje, 29, e completou ainda mais a nossa festa”, diz Renê Fontes bastante emocionado ao lado de Lícia, sua esposa.
O ato foi realizado por apoiadores de Renê Fontes, entre eles familiares e líderes eclesiásticos da igreja em que ele congrega. A festa marcou o retorno de Fontes à campanha a nove dias da votação.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Jornada de 30 horas sem diminuição salarial para a enfermagem não é privilégio!



  Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2015, a área de saúde compunha-se de um contingente de 3,5 milhões de trabalhadores, dos quais cerca 50% atuam na enfermagem. A pesquisa sobre o Perfil da Enfermagem, realizada em aproximadamente 50% dos municípios brasileiros e em todos os 27 estados da Federação, inclui desde profissionais no começo da carreira (auxiliares e técnicos, que iniciam com 18 anos; e enfermeiros, com 22) até os aposentados (pessoas de até 80 anos). Ou seja, somos maioria em categoria neste país e há mais de 60 anos continuamos a ouvir um “não” dos governantes desse país com relação às 30 horas semanais, em algumas capitais já é lei, em hospitais federais está em acordo coletivo correndo sempre o risco do desacordo por parte dos reitores. Abaixo um pouco da história sobre nossa idosa reivindicação...
1955 - Café Filho sancionou todo o projeto que regulamentava a profissão e vetou apenas o artigo que estabelecia a jornada de 30 horas.
1983 – O general João Baptista Figueiredo vetou alegando que não havia justificativas físicas, técnicas ou mentais para sancionar a lei.
1995 – Fernando Henrique Cardoso vetou porque o sistema 12x36 estava consolidado e não acreditava que cabia ao Estado o papel intervencionista nas representações de profissionais e empregadores.
2012 – Com um compromisso assinado em 2010 em favor das 30 horas, quando ainda era candidata, Dilma Rousseff se livrou da decisão de vetar o projeto ao articular que o PL 2295/2000 não fosse votado na Câmara.
            No dia 27 de junho de 2012, o presidente da Câmara Federal, deputado Marco Maia, entrou em acordo com líderes de partidos e colocou em pauta a votação do Projeto de Lei 2295 de 2000, que altera a regulamentação profissional na Enfermagem e fixa 30 horas por semana, sendo seis por dia, a carga horária máxima de trabalho de enfermeiros, técnicos e auxiliares. Nos bastidores uma comissão foi enviada pela presidente da República ao Congresso para retardar a análise do projeto e a votação não ocorreu por conta do fim da seção daquele dia.
            Na época, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que a posição do governo era “muito clara de não votar matéria que tenha grande impacto por conta da crise [econômica internacional], que tudo leva a crer que será longa”. A ação desencadeou uma série de protestos das entidades integrantes do Fórum Nacional 30 Horas Já!
            A Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) divulgou uma nota sobre o episódio na Câmara, resgatando um compromisso firmado em 11 de outubro de 2010 pela então candidata Dilma Roussef. O documento teve trechos publicados na coluna Panorama Político, do jornal O Globo, do Rio de Janeiro. Nele, a então candidata Dilma se dirigiu aos “amigos e amigas da Enfermagem brasileira” garantindo assumir, “se eleita Presidente da República, o compromisso de apoiar a aprovação das iniciativas legislativas que garantam a jornada de trabalho de 30 horas semanais para o Projeto de Lei nº 2295/00 na Câmara dos Deputados”.
            Ouço muitos dizerem: “Enfermagem por amor”, não só por amor, merecemos ser melhor remunerados e trabalhar numa escala humanizada, a maioria de nós entrou na enfermagem para ter uma profissão, assim como eu que era mãe solteira, sem ajuda financeira por parte do pai da minha filha, escolhi para nunca mais ficar desempregada, aprendi a amar minha profissão assim que iniciei os estágios lá no curso de auxiliar de enfermagem em 2005, pois até então, era uma nova profissão.
            Na maioria das vezes, somos nós na linha de frente no atendimento ao cidadão/paciente, somos nós que recebemos toda a carga de revolta e raiva por culpa da má gestão de nossos empregadores e mesmo assim estamos lá, doentes, depressivos, para não abandonar nossa equipe pois sabemos o quanto trabalhamos duro com déficit de funcionários, mal remunerados ouvindo da população insatisfeita com o serviço público: “eu pago seu salário”, trabalhamos fins de semana, feriados, mal temos tempo para nossa família, são pouquíssimos que tem o privilégio de poder estar com a família nos finais de semana, poucos tem tempo de fazer selfies em fins de semana nos parques, shoppings com a família, porque com o salário defasado, muitos de nós trabalha mais dias na semana por horas extras, vivem fazendo empréstimos consignados, tudo para suprir o básico em casa .
            Muitas vezes trabalhamos com pouco insumo, fazendo modificações (gambiarras), compramos material com nosso salário para aferir SSVV dos pacientes como termômetro, esfigmo, esteto, aparelho de oximetria, pois os que tem lá muitas vezes não funcionam e eles não repõe, fazemos isso para agilizar no serviço, muitos compram até materiais de higiene para utilizar nos pacientes dentro das instituições, trabalhamos por vezes, sozinhos, virando e levantando pacientes pesados por falta de profissionais para ajudar, eu mesma, quando trabalhei em sala de vacinas, acabei comprando agulhas 20x5,5 para aplicação em crianças menores de 6 meses, porque estavam em falta na unidade/município e eu como tinha muita pena de aplicar vacinas com agulhas 25x7 naquelas perninhas miúdas acabei comprando.
            Como se vê a instituição/prefeitura/governo que te contrata tem a obrigação em fornecer insumos, materiais para aferição dos SSVV, portanto, se tiver que optar pela gambiarra no momento da necessidade pense bem, não seja “bonzinho” pois você acha que está ajudando mas não, você estará se complicando, deve-se cobrar tudo isso de seus gestores, eles estão lá para isso!
            No caso de déficit de funcionários existe uma ferramenta em suas mãos chamada dimensionamento: Resolução Cofen nº 527/2016 – revogada pela resolução 543/2017 que dispõe sobre o dimensionamento no quadro de profissionais dentro dos serviços/locais em que são realizadas atividades de enfermagem, lá você poderá pesquisar o referencial mínimo para o quadro dos profissionais de enfermagem que deve trabalhar em seu setor e assim exigir solução através de seu gestor.
            Gostaria de dizer às pessoas e gestores que nos criticam, que dizem que não há necessidade de aprovação das 30 horas, os que tem o poder nas mãos e não aprovam, é porque nunca irão precisar da enfermagem que trabalha 36 ou 40 horas e que é mal remunerada, não vão para o SUS, este irá utilizar hospitais “top” como o Sírio Libanês ou Albert Einstein onde a enfermagem trabalha 36/40 horas mas é bem remunerada, não estou aqui criticando quem trabalha em hospitais top, estou falando aqui pela igualdade, que as 30 horas sejam aprovadas sem redução salarial para todos, e que o piso salarial ético proposto pelo Coren/Cofen torne-se lei!